O dia do caixote!

Um dia que nunca esquecemos!
As causas são as mais variadas: Decidimos por um novo rumo profissional; Redução de pessoal na organização; Fim de estágio; Algo correu menos bem com a nossa prestação!

Mas o dia do caixote é uma das experiências mais enriquecedoras que temos em vida.
Se dúvidas restassem, o olhar macambúzio daqueles que desconhecem esta experiência dissipava-as.

É um momento que define o novo ciclo das nossas vidas profissionais. Deixamos para trás uma marca, uma função, uma filosofia, uma equipa.
Pela frente temos uma incógnita tanto maior quanto a surpresa de tal momento.
A procrastinação ataca os mais novos com o síndrome da falta de experiência e os mais experientes com o síndrome da idade!

Uma boa estratégia faz milagres por nós. Centrar a atenção naquilo que mais gostámos de fazer, nas organizações com as quais nos identificamos, sentir e compreender o nosso espaço no mercado.
A partir daí temos as linhas mestras para desenhar um futuro mais risonho que o passado. Porque as crises escondem sempre uma oportunidade que podemos e devemos aproveitar.

As Redes Sociais ajudam-nos na visibilidade. Mas antes disso devemos pensar na construção da nossa marca pessoal e no respectivo posicionamento no mercado.
Um factor facilitador será a inauguração de uma nova actividade económica de que possamos ser lideres (Câmara, António).

O resto está nos livros: Criatividade; Suor; Determinação; Determinação; Determinação!

Rede Social de Empreendedores

Esta semana foi marcada por um nr que perturbou a maioria dos portugueses: 500.000 desempregados.

Já escrevi neste espaço sobre a necessidade de reconversão da mão de obra pouco qualificada em actividades com futuro.

Esta crise está apenas a corrigir erros da economia real: A fechar industrias que perderam competitividade e não encontraram vias para a sua redinamização; Empresas que sobreviviam de forma deficiente e que estas marés vivas precipitaram a sua demolição.

As empresas “morrem” mas as pessoas não. E essas pessoas saem destes processos com uma renovada visão daquilo que pode ser o seu projecto profissional.

Mas o inicio de uma actividade de empreendedor pode ser para muitos uma enorme incógnita. Porque entendem que qualquer negócio implica elevadas injecções de capital ou por desconhecerem os seus potenciais mercados.

Para abreviar esses receios e ajudar esses desempregados a reconstruirem o seu projecto propôe-se a criação de uma Rede Social de Empreendedores onde empreendedores, business angels, associações empresariais e demais actores se reunem para dinamizar esses novos projectos.

Achar que esta é uma boa ideia e nada fazer para a alicerçar não é o apoio que estes desempregados precisam! :-)

Please note my mobile number!

Não sei definir o nr de ocasiões em que apoiei turistas em Portugal a organizar roteiros de visita ou a traduzir ementas gastronómicas. Pessoas que conheço entre restaurantes e estações de combustíveis onde os primeiros minutos de conversa são decisivos para compreender as suas motivações.

Palavra puxa palavra – e em quantidade quando os interlocutores gostam de compreender outras culturas – e revemos nesses turistas os mesmos objectivos que os nossos: Visitar outros países e serem bem recebidos!

Portugal tem um cartaz de excelência: Óptimas condições climatéricas; Segurança; Um povo acolhedor e tolerante; Um território com história e em muitos casos bem preservado.

Causo sempre surpresa quando no final da conversa concretizo um hábito da cordialidade empresarial: Faculto o meu email e nr de tlm.

Este acto tem especial importância para estes turistas que sabem que não espero deles qualquer encomenda, mas que essa informação pode ser-lhes útil numa qualquer situação que ambos desejamos que não aconteça, e num território cuja língua desconhecem.

Quando regressam à sua casa têm algumas vezes a preocupação de me enviar fotos do local cuja visita sugeri e uma mensagem de agradecimento pelo “local support” que disponibilizei. Fico a saber que são juízes, investigadores, jornalistas, para citar alguns exemplos.

Esta é a sugestão que deixo neste período de verão em que o turismo vive uma crise à escala global, e em que pequenas iniciativas colectivas têm impactos superiores a campanhas publicitárias de muitos milhões de euros.

Estratégia para tempos de crise

Todos os dias somos confrontados com o encerramento de mais fábricas.
São TRABALHADORES MANUAIS que dificilmente reencontrarão lugar nesta economia do conhecimento.
Também sabemos que para além da grave crise que provoca nas economias das famílias envolvidas, o factor emocional tem um impacto igualmente
pesado: Perdem o convívio com os colegas que durante várias décadas alicerçaram mutuamente.

Por outro lado, AS EMPRESAS E AS ORGANIZAÇÕES NACIONAIS desperdiçam tempo e energia à procura de documentos e processos que “nadam” no meio do oceano que são muitas vezes os seus ARQUIVOS.

Porque não transformar essas equipas de têxteis e calçado que chegam ao fim do seu ciclo de competitividade em operadores de digitalização de documentos para os organismos públicos, num programa ocupacional?
Será que esses trabalhadores não ganharão uma nova e promissora actividade profissional?
Será difícil encontrar arquivistas e documentalistas para coordenarem localmente esses processos?

Será que essas organizações beneficiárias não prestarão com isso um melhor serviço à comunidade optimizando com esta iniciativa os seus recursos humanos?

Twitter Vs Máquina de Café

Muitas empresas já descobriram que é na “sala do café” e na “varanda dos fumadores” que se gera boa parte da massa crítica das suas organizações.

São conversas breves onde os “desabafos” sobre as dificuldades profissionais acabam por encontrar solução naquele contacto transversal da organização.

Nada de novo se imaginarmos que no passado os problemas atípicos eram solucionados pelo circuito informal.

Sucede apenas que os tempos mudaram e os desafios carecem cada vez mais de uma solução INTERDISCIPLINAR.

Vem isto a propósito da experiência vivida nas últimas semanas com a rede social TWITTER.
É interessante constatar o enriquecimento informativo que esta plataforma representa, por permitir o tal contacto transversal. Mas, já não é intra organizacional mas antes global!

Saberemos interpretar a revolução que isso representa? Continuaremos a defender a qualquer custo (para os próprios e para o país) da aglomeração demográfica?

Empreendedorismo: O software territorial

Vou poupar o leitor às estatísticas que demonstram que a distribuição de riqueza depende muito mais do empreendedorismo do que do emprego.
E faz sentido. A economia tem riscos e oportunidades e são os empreendedores que têm a capacidade de os absorver, isto é, de serem actores da economia em que operam.

Este é um ano em que o poder local vai a votos. Na fase do hardware territorial, os mandatos foram avaliados pela capacidade dos autarcas em fazer OBRA: Pavilhões Polidesportivos; Piscinas Olímpicas; Centros Culturais; Autoestradas na sua área de influência.

Este modelo chegou ao fim por estar concluído. Já não falta hardware a este fantástico país.
Hoje precisamos de software que explore este território que construímos: Ideias; Criatividade; Empreendedorismo.
É a recombinação de saberes que promove produtos capazes de entrar no mercado global. E não é difícil enumerar mais de 1000 produtos nacionais – que são concebidos em terras cujos nomes muitos portugueses desconhecem – que têm mercados em raios de muitos milhares de quilómetros.

Dito isto, que julgo consensual, passo à fase das consequências.

Estarão os autarcas portugueses preparados para avaliarem os seus mandatos em função do nr. de empreendedores que foram capazes de gerar nos seus territórios?
Por outras palavras: Estarão os autarcas portugueses capazes de promover software territorial para o hardware que já conquistaram?

A Era da Democratização Territorial

As áreas metropolitanas perderam há muito o seu esplendor. Foram durante décadas o epicentro de talentos de nível nacional onde residiam as oportunidades de participação profissional que gravitavam em redor dos mesmos.

Hoje, a economia do conhecimento traz consigo a democratização territorial. E os territórios rurais, outrora desconectados dessa economia, têm hoje atractivos de relevo para proporcionar o êxodo metropolitano: A qualidade ambiental, social e económica dos territórios rurbanos respondem ao novo estilo de vida dos empreendedores.

A consequência mais interessante do êxodo metropolitano será a polinização de conhecimento protagonizado pelos Novos Povoadores nos territórios de baixa densidade. As redes e a Internet trouxeram consigo a possibilidade de acesso e difusão de informação a nível global, e-learning e trabalho com equipas geograficamente distribuídas (groupware), para citar algumas possibilidades. Facilitarão deste modo a dinamização em seu redor de pequenos alvéolos sociais, com vista a respostas mais actuais à economia que estamos a construir.

O modelo de vida tradicional, onde a população metropolitana adquiria no campo/praia a segunda habitação que lhe permitia respirar, é no actual modelo a sua morada de eleição: Quebraram-se as barreiras geográficas e a falta de competitividade provocada pelos excessivos custos de produção nas áreas metropolitanas – que eram suprimidos por uma procura sucessivamente crescente de uma economia que agora sabemos sobreaquecida – tem hoje uma resposta no território interior conectado.

Por outro lado, os territórios com vontade de atrair Novos Povoadores – gente empreendedora, capaz de gerar dinâmicas de emprego e com vontade de adoptar um estilo de vida mais familiar – são chamados a posicionar-se de uma forma pró-activa, isto é, facilitar a integração dos novos residentes e das suas famílias. Essa tem sido a grande diferença no desenvolvimento dos territórios de baixa densidade. Quando os diversos actores territoriais se mobilizam em torno de um mesmo projecto – Networking Territorial – o sucesso torna-se alcançável. Os Novos Povoadores deixam de o ser, para fazerem parte de uma comunidade que luta para uma maior afirmação territorial, um acto de cidadania activa que os torna actores do desenvolvimento económico e social dessas regiões.

Será esta uma visão utópica?

Segundo um estudo da ONU, em 2015, 69% da população portuguesa viverá nas áreas metropolitanas, acentuado a ausência de qualidade de vida nesses centros populacionais.

Por seu turno, só o Município de Sintra acolhe mensalmente 1000 novas famílias de acordo com os últimos censos do INE.
Estando a sociedade globalizada assente cada vez mais numa economia sem geografia, facto que permite olhar para o território de uma forma mais inclusiva, é possível reduzir o fosso das assimetrias regionais com vantagens para os novos residentes dos territórios de baixa densidade. Assim, além do inegável incremento da qualidade de vida, promover-se-á a quebra de um ciclo de sangria demográfica.

Passar horas a fio no trânsito – que se retiram directamente ao tempo em família – não é uma inevitabilidade para ninguém.

Alexandre Ferraz e Frederico Lucas
See Older Posts...